sábado, 29 de novembro de 2014

Uma extensão de nós - parte 1

Tempos atrás um amigo, ao anunciar o nascimento da filha, escreveu: "ela é tão ela mesma!". Na hora achei muito fofis aquele jeito de fugir do lugar comum, que é a comparação com seus progenitores. Lembrei que sempre tive horror a essas comparações antes do meu pequeno nascer, e que teorizava pela individualidade do sujeito e blá, blá, blá. Mas daí virei mãe... E não tem jeito, mais cedo ou mais tarde, a gente se reconhece nos filhos!
Para mim o reconhecimento foi imediato!
No instante em que olhei para o Vicente, ainda preso ao cordão umbilical, sujo de sangue e nas mãos do médico, percebi que ele era a minha cara. Mais do que isso: ele tinha o mesmo nariz, envolto pelas mesmas bochechas que eu detestei por 33 anos, 11 meses e 28 dias!
E eu achei aquele rostinho que tinha tudo o que eu não gostava tão, tão, tão lindo que foi inevitável não me apaixonar.
Foi tão significativo aquele momento que o considero mais uma das lições que a maternidade me deu: através do meu filho pude enxergar em meus traços uma beleza que sozinha eu nunca tinha percebido.
Depois dele, me sinto mais segura e mais bonita. Hoje, me enche de vaidade ouvir de alguém, que nos vê pela primeira vez,  "como ele é parecido contigo!". Sermos parecidos me dá a certeza que tenho em mim a beleza que enxergo nele. Meu amor de mãe contaminou meu amor próprio!

Nenhum comentário:

Postar um comentário