descobri que sou humana.
Porque até engravidar da Nina, aos 27 anos, eu ainda costumava me vestir com a capa da imortalidade da juventude, que bebe e dirige, que atravessa a rua correndo na frente dos carros, que volta da festa a pé sem medo de nada, que bebe até não poder mais abrir os olhos, enfim. Que fazia parte daquela que meu pai chama de "geração não dá nada". E desde que engravidei comecei a atravessar a rua somente na faixa de pedestres, com medo de alguma moto desavisada passar por cima de mim, e do meu bem mais precioso que tava bem guardado na minha barriga. Esse foi o primeiro sinal de que alguma coisa tinha mudado, e pra sempre.
Depois que ela nasceu - e quando, de fato, virei mãe - esse medo de algo acontecer a alguma de nós começou a me rondar. De ela se afogar dormindo e eu não ver, de eu ter alguma doença incurável e rápida e faltar - e veja só, ela só mamava no peito, como ia sobreviver? Óbvio que ia sobreviver, e bem, porque eu tenho uma família que sempre me apoiou muito, mas na minha cabecinha que pensava tanta bobagem SÓ EU poderia cuidar dela, dar banho, trocar as fraldinhas da melhor maneira possível.
Conforme ela foi crescendo, meus medos foram diminuindo. Entrou na creche, depois na escola, ginástica, visita as amiguinhas, e eu fui me acalmando. Aí veio a Olívia. Na gravidez eu enjoei tanto que nem tive tempo de ter medo. Mas depois que ela nasceu... ah, ele voltou. E ainda hoje às vezes me pego pensando o que será das minhas gurias se eu resolver virar estrela enquanto elas ainda precisam tanto de mim. Tenho uma amiga, a Cléia, que quando a mãe morreu ela me disse que com isso foi-se um pouco da sua história de vida. Eu nunca tinha pensado nisso, mas é verdade. Quando morre alguém próximo, essa pessoa leva junto uma boa parte da gente. Ainda quero ver muita coisa, delas e desse mundão doido.
Aí de vez em quando esse pensamento besta volta, algumas eu até choro. Mas não dura muito, porque logo a Olívia acorda e me chama, ou a Nina me pede alguma coisa pra comer.... Espero que elas continuem me interrompendo assim por muito tempo!
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