sou eu, claro.
aquela que na noite gelada só levantou uma vez pra conferir se as gurias estavam cobertas, aquela que não trocou a fralda no primeiro xixi.
que comeu porcaria escondida na cozinha, que se trancou no banheiro pra tomar banho sem interrupções, que gritou um palavrão quando foi uma coisinha a toa.
aquela péssima mãe que contou uma historinha de meio minutos pra elas dormirem porque queria descansar também, e que na noite anterior dormiu antes das gurias - na cama da menor.
eu sou a mãe monga que quase deixou a mais velha cair do colo porque foi tirar a chave do bolso. que faz a caçula voltar a dormir pra poder terminar de escrever esse texto. mas agora.. não funcionou.
- - -
(continuação)
ontem. não funcionou ontem. e na noite de ontem, numa das acordadas em que não levantei pra ver as gurias - não tava frio, e com pesadelo a Oli veio sozinha pra minha cama, dormir com a cabeça no meu pescoço e os pés no pai, nos obrigando a dormir no cantinho-precipício da cama - fiquei pensando na minha trajetória de "pior mãe do mundo". talvez tenha sido exagero, porque sou libriana, portanto, exagerada (e não me venha com essa de que librianos são equilibrados porque isso é conversa de astrólogo fajuto, a balança nada mais é que o símbolo do signo, SÓ).
Pensei, matutei, refleti. e cheguei a conclusão que nesses quase dez anos que sou mãe - uau! quanto tempo! - fiz um monte de coisas que gostaria de mudar, mas tantas outras de que me orgulho e tenho certeza absoluta (de minutos) que estou no caminho certo. porque ser mãe é viver com a consciência pesada, se trabalha pra pagar alguém que não vai cuidar tão bem do teu filho quanto tu, mas podia ficar em casa e um dia ele vai crescer e eu não tenho como pagar as contas, etc etc etc. Culpa! Sentimento que nasce no mesmo dia do primeiro filho. Quase dez anos de culpa.
mas ontem a tarde sentamos juntas na mesinha delas pra brincar de massinha de modelar, fiz todos os bonecos que elas me pediram, guardamos e limpamos juntas a bagunça. depois da janta teve banho de banheira, e eu - a mãe-má-e-destrambelhada - coloquei mais espuma, brinquei e deixei molharem o banheiro todo, fiz bolinhas de sabão e cantamos bastante. foi divertido.
aí, na madrugada, me veio essa lembrança, tão recente, e outras tantas velhinhas (lembra, quase deeeeeeeeeeeeeez anos!!!) e cheguei a conclusão, librianamente, claro, de que nem sou assim uma mãe tão ruim.
ai que lindoooooooooooo!!! me identifiquei total!!! Ai guria, como me sinto assim tb às vezes... e muitas vezes!... ah por que não fiz isso, ah por que fiz aquilo, ah, ah, ah!!!! ... mas aí vem as lembranças tb do que se fez de bom, de quanta bagunça, de quanta bobeira, de quanto chamego, de quantos olhares, quantos sorrisos... éééé amiga, ser mãe é tudo, mas TUDO mesmo!!! de bom!!!! ... delícia seu texto! Saudades de vcs!!! Bjs mil <3
ResponderExcluirBerê, querida! Obtigada! Saudades
ExcluirDesculpe mas tu não tens direito a esse título. Eu te vi com as gurias e essa coroa não é tua. Tenta outra! Quem sabe da mãe mais divertida? Ou mais dedicada? Da mais sorridente?
ResponderExcluirNão tem caminho certo, tem tentativas e acertos. E ouvir o coração.
Acho eu. Tu que é mãe que pode me dizer...
bjbj
Mais que certa, coração é o melhor conselheiro, Lu. Obrigada pelo carinho.
Excluir:)