sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ser mãe é...

Nesses meus quase dois anos de maternidade, tenho colecionado algumas definições. Procuro explicar minha (já não tão) nova realidade por meio de pequenas (in)conclusões do meu dia-a-dia. São, na verdade, diferentes situações que me fazem refletir sobre o exercício materno. Repetidamente, tenho dito que ser mãe é...
... dormir na pontinha do colchão enquanto o filho se esparrama pela cama.
... andar no banco de trás do carro.
... encaixar uma história do filho em qualquer tema.
... comer o resto da bolachinha babada.
... tirar tatu do nariz do filho, sem nojo, sem cerimônia.
... cantarolar música infantil, mesmo no trabalho.
... ficar acordada para ver o filho dormir.
... ter ciúmes da professora/cuidadora/ babá.
... não querer que o filho coma as porcarias que você come.
... recolher os brinquedos pela casa.
... deixar de olhar o mundo para olhar o filho no mundo.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Uma mãe possível

Demorei 33 anos para desejar ser a mãe do filho de alguém. Antes foi preciso eu entender que não fui um estorvo na vida profissional da minha própria mãe, mas sim uma escolha, para que ela vivesse o papel que mais havia aspirado. Depois precisei encontrar em um parceiro a mesma confiança que minha mãe tinha em meu pai, pois como se diz, marido e mulher se separam, pai e mãe não. Feito isso, eu estava pronta! Primeiro minuto de 2012,  resolução de ano novo: ser mãe!
Meses depois, já com o resultado positivo em mãos, me dei conta de que  tudo aquilo havia sido só o prelúdio! As neuras cresceram com a barriga e as certezas sumiram com a menstruação. Todo mundo tinha um conselho pra me dar, mas ninguém respondia meu questionamento mais urgente: eu vou ser uma boa mãe?
Com a chegada do pequeno a situação piorou. Além das neuras e dúvidas, eu tinha uma criança para cuidar, dezenas de tip-tops para lavar e passar, revistas de educação infantil para ler, e principalmente, aquela orda de mães que nunca (contavam que) erravam para me atormentar! Por que era tão difícil para mim, se para todas as outras era tão fácil?
Foi só com o exercício da maternidade (e com algumas sessões de terapia, confesso) que eu percebi que a melhor forma de acertar é procurar não errar. Só eu posso ser a melhor mãe para o meu filho, simplesmente, porque eu sou a mãe dele. E tem que querer muito estragar tudo para perder o amor dessas criaturinhas. Não ser uma mãe de comercial de TV não me faz menos mãe. Tenho aprendido a medir meu sucesso maternal pelo som da risada do meu filho.
É sobre isso que eu quero escrever aqui: minhas constantes tentativas de acertar, sem manual, sem regra, sem lições; apenas o desejo de ser uma mãe possível.

um, dois, três...

Uma vez li que o primeiro filho é de cristal, o segundo de madeira e o terceiro de borracha... Não quero ter mais um, acho que dois - duas, na verdade - tá ótimo. Pelo menos pra mim. Filho é um presente de Deus, uma maravilha, te faz despertar sentimentos que tu nem sabia que existiam: amor incondicional, alegrias bobas, felicidade intensa - e por outro lado, perda de paciência, frustração e culpa. Nem tudo são flores. Mas voltando às diferenças entre os filhos, realmente. Com a Nina eu tinha medo de tanta coisa, como cair e bater a cabecinha, prender o dedinho na porta, tudo me apavorava. Quando ela era pequena eu trabalhava e ela ficava com meus pais, mas quando eu tava junto era sempre correndo atrás com medo de ela se machucar de algum jeito. Lembro que uma vez estávamos em Pelotas e ela saiu correndo em direção ao portãozinho da casa onde estávamos. De longe (pre)vi o tombo, e até hoje não faço ideia como aconteceu, mas consegui puxá-la pelo bracinho, me joguei no chão e ela caiu em cima de mim. Ralei todas as minhas costas e ela... chorou porque se assustou, mas não teve um arranhãozinho. Já a Olivia vive caindo, se batendo, toda roxa. Hoje mesmo, eu fui fazer xixi (e levo ela junto pro banheiro porque onde quer que a coloque, no berço ou na cadeira de comer, ela dá jeito de tentar escapulir e se cair é pior) e ela resolveu pegar um xampu no box. Ontem busquei pela barriguinha, tava quase caindo. Mas hoje ela escorregou e deu de testa na entradinha do box. Não caiu uma lágrima. Dei beijinho, que cura quase tudo, e gelinho pra não criar "galo". O mais fofo foi ela mesma segurando o gelinho. Passava na testa, na cabeça, até parar na boca. Comigo acontece assim, com a Olívia sou mais descansada do que era com a Nina. E contigo, rola assim também?

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Eu dizia que não...

... ia deixar meus filhos assistirem televisão até os dois anos, que não ia deixar comer no Mc, tomar refri, comer batata frita e o escambau. Também dizia que não seria chata como a minha mãe ou exigente como o meu pai, que seria uma mãe muito liberal e que deixaria meus filhos serem mais livres - o que bate de frente com o pensamento anterior, hein... Mas aí virei mãe. Em 2006, dia 30 de agosto, às 21h27min quando vi aquela carinha ainda engolesmada, mas muito linda.... e me apaixonei, e esqueci de todas as promessas que fiz a mim e ao mundo de tudo o que eu queria ser quando virasse mãe. Porque tudo muda depois disso. Mulher já é um bicho doido. Depois que vira mãe... só piora! Aguarde cenas dos próximos capítulos.