sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Aos futuros pais

Um dia descobri pelo falecido Orkut que um amigo da época de colégio tava "grávido". Eu não conhecia a namorada / esposa dele, mas me senti na obrigação de contar um pouquinho do que acontece do lado de cá.

Falei que estar grávida é lindo, maravilhoso, gostoso (sentir o bebê mexendo dentro de nós é algo incrível) mas que tem tantas outras coisas não tão legais que acontecem no durante, e especialmente no depois, que quase ninguém falava. Hoje até falam mais, mas de qualquer forma eu também quero dar meu pitaco. Te aquieta e lê.

E começa junto com a gravidez. Pode ser enjôo, pode ser mal estar, pode ser canseira. Sono, irritação ou choradeira - ah, hormônios, seus malvadinhos. Eu costumo dizer que gravidez é uma TPM de 9 meses. Sem contar a dificuldade de achar roupas, especialmente no início, quando a bunda e os peitos estão grandes, as pernas finas e a barriga é um misto de pancinha de chopp e má postura. E depois, mais pro final, quando levantar é tão difícil que a gente se sente uma baratinha virada com a casca pra baixo. Saca, a dificuldade de virar? E cruzar as pernas, então? I.M.P.O.S.S.Í.V.E.L!

Bom, daí chá de fraldas, as tias do interior com todas as receitas pra criança não chorar, não ter cólica, a amiga que deixava a criança se esgoelando até dormir sozinha e te garante que em três dias vai funcionar pro resto da vida, a vó que fala que tu era assim, mas a sogra garante que era assado, cerveja preta produz mais leite (hahaha), e toda a sorte de baboseiras que tu e a tua mulher até podem tentar colocar em prática em algum momento de pânico. E eles acontecem, viu. Tente se acalmar.

Mas tem uma coisa que me incomodou mais que os palpites, principalmente quando ganhei a Nina. Foram 9 meses bacanudos, onde minha pancinha e eu éramos saudadas com amor e muito carinho por onde passávamos. Quando ela nasceu eu fui esquecida.

E doeu.

Veja, não sou mimada (tá, talvez um pouco), mas me senti muito mal com uma coisa que aconteceu ainda no hospital. A Nina foi pro quarto antes do que eu, e enquanto as enfermeiras me levavam, ouvi a bagunça no quarto. Todo mundo lá, claro, babando no bebê recém saído do forninho. Mas tinha uma pessoa (que por motivos de "não quero" não vou citar o nome) que estava fora do quarto. Fiquei feliz por alguém ter lembrado de mim, até ela dizer "Não dá pra entrar no quarto, tem muita gente, achei melhor esperar aqui".

BUÁÁÁÁ

Depois todas as fotos das famílias onde ninguém liga se tu tá inchada, escabelada, estranha. Eu não tive a sorte de nascer (e nem de parir e seguir) linda como a Kate Middleton. E a maioria das minhas amigas também não.





Ali começou meu sentimento de culpa: eu deveria estar muito (e só) feliz. Mas me sentia meio triste, um pouco abandonada. Ninguém lembrava de mim - exceto na hora de dar de mamar ou trocar as fraldas. Isso pode ser bem chato, em alguns casos perigoso até. Favor não esquecerem da mãe. Obrigada!

E é muito sério. Queridos amigos que estão a um passo de se tornarem papais: não esqueçam de amar e mimar MUITO as suas mulheres. Comprem flores, presentes (cuidem com chocolates que pode dar cólica no bebê!), mas acima de tudo: elogiem as suas mulheres. Sejam companheiros. Acordem junto, troquem fraldas, levem água pra elas durante a madrugada. Elas precisam de muito amor (e muita água, acredite em mim!) nessa época.

Depois que mandei esse recado pro meu amigo, a esposa dele me adicionou no Orkut. hehehe! Beijão, Mel.


Para finalizar, só posso desejar a todos um feliz dia dos pais!