sábado, 4 de abril de 2015

O que você vai ser quando você crescer

Madrugada de Páscoa, e eu arrumando o ninho do meu filho. Enquanto ele dorme em um colchão na sala, ao lado do ninho em que deixamos uma cenoura para o coelhinho trocar por chocolates, me empenho na árdua tentativa de compôr, com todas aquelas guloseimas pequenas que a pediatra recomendou, um quadro harmônico. Tarefa inglória, pois com certeza, passará desapercebida. Afinal, o que importa se o Kit Kat está ao lado do pacote de merendinha ou de MMs? Só um pensamento passará pela cabeça do meu pitoco: o coelhinho veio à sua casa, levou a cenoura e lhe deixou muitos bombons e chocolatinhos. E era exatamente para isso que eu estava ali, depois das 2 horas da manhã, tão empenhada em organizar aqueles doces, para ver sua euforia ao ver seu desejo se realizar.
Foi nesse momento em que lembrei de minha mãe... Por quantas vezes ela não teria perdido horas de sono do seu Sábado de Aleluia, para organizar tão cuidadosamente as cestinhas, que por anos a fio, encontramos embaixo de nossas camas, no Domingo de Páscoa? Quais eram suas expectativas, na mesma cozinha em que eu hoje monto o ninho do meu filho, pela reação que meu irmão e eu teríamos? Provavelmente as mesmas que eu tenho hoje, proporcionar este momento mágico aos filhos.
Porque, por mais que a gente diga que não antes, depois que somos mães, a gente se vê repetindo nossa mãe. Por mais que liste uma porção de razões, justificando com teorias mais modernas ou liberais, temos a mesma essência. Independente dos meios, os fins serão sempre os mesmos: criarmos esses momentos especiais aos filhos, na esperança de que eles fiquem para sempre em suas lembranças.